As festas de peão de boiadeiro deixaram de ser frequentadas somente por pessoas caracterizadas no melhor estilo country, com calças justas, cintos com fivelas, camisas estilizadas, chapéu e botas de couro. Também não se restringem mais apenas aos amantes de música sertaneja. Hoje, as arenas foram invadidas por pessoas dos mais diferentes estilos - punks, emos, skatistas, micareteiros — que vão à festa para se divertir, e mostrar que o rodeio, cada vez mais, caiu no gosto universal.
Desde quinta-feira, milhares de pessoas vem transformando um espaço especialmente criado para atrair a diversidade no rodeio de Cajamar — onde djs transformam o evento country em diversos hits próximo da arena do rodeio, onde minutos antes homens competiam sobre touros e cavalos — em uma verdadeira danceteria mix. Os sons são para todos os gostos desde funk até “psy” a mais nova sensação da galera jovem.
O objetivo é curtir de todo jeito
Mesmo com a maioria apoiando essa diversidade musical alguns cowboys se dizem insatisfeitos com a mistura de opções. “Com certeza todos iriam reclamar, se em uma festa rave ou micareta, fossem colocar música country e sertaneja. Ninguém ia aceitar. E nós, temos que aguentar”, revelou o insatisfeito, José Aparecido de Souza, que há anos frequenta o rodeio de Cajamar.
Com cabelos em um estilo punk, pintados de amarelo e óculos de sol branco e alheio a discussão, o estudante Lucas de Souza Pinto, de 16 anos, mais parecia estar em uma festa rave ou balada de música eletrônica. “Hoje o rodeio se transformou em um grande festival de música. Aqui tem de tudo. Desde música eletrônica, rock e até tem sertanejo”, brincou o estudante de Cajamar. Souza estava junto com sua turma de amigos que não passavam despercebidos entre o público. Tanto pelo estilo dos penteados — cabelos espetados, boné com franja de fora — quanto pelas roupas que chamavam a atenção. "Gostamos de colocar acessórios como cintos metalizados. Misturamos o estilo rock punk junto com o jeito emo de ser. Aí dá nisso”, contou rindo.
Com o jeito todo despojado de skatista — calça e moletons largos, boné e tênis — o estudante Emerson Andrade do Nascimento, de 19 anos, afirma que apesar da aparência meio fora de contexto adora ouvir uma moda de viola. “O pessoal mais novo vem pra cá por causa da tenda de música eletrônica. Mas, não dispenso uma boa música sertaneja não. Aliás temos que entrar no clima”, disse.
A sátira também tomou conta dos frequentadores da festa. Um grupo de amigos vindo de São Paulo, aproveitou a ocasião e resolveu prestar homenagem ao México. Com sombreros e máscaras nos rostos, a turma que veio ver um amigo participar da competição de montaria queria chamar atenção e conscientizar quanto a gripe suína que tem preocupado as autoridades de saúde em diversos países.