Ganhei nesta semana o livro “O verão e as mulheres”, de Rubem Braga. O presente me foi dado pela Fabi, que meu aniversário se aproxima. Não o terminei ainda: vou lendo-o serenamente, com lentor, tentando absorver o máximo das sensações contidas nele. Mas já posso destacar algumas crônicas, como “Recado ao senhor 903”, “Lembranças” e “Dalva”. São histórias bem-humoradas, com certa melancolia e de uma visão crítica da sociedade.
Como de costume, folheio a contracapa, leio a nota, a pequena biografia e descubro que esse livro é na verdade a quarta edição de “A cidade e a Roça”, título escolhido pelo cronista em 1956. Como se enfastiara dele e por lembrar “A cidade e as serras”, do Eça, mudou-o.
E descubro nas costas do livro algo estranhamente curioso ou curiosamente estranho (ao menos para mim): uma propaganda farmacológica. O produto: ICADEN.
Um spray de 60 ml, “eficaz em todos os sentidos”, que “não vaza”, que é “muito mais econômico”, possuindo também formato em bisnaga de 20 ml. Um produto realmente bom, que com certeza cura (ou curava, pois eu pensava que, sendo livro de 1986, o produto já estaria fora do mercado) a enfermidade para o qual foi criado e que deve ter sido a pedra no sapato dos concorrentes, pois facilitava a “aplicação em qualquer posição”. Talvez os pacientes não ficassem lá muito confortáveis com isso, mas ao menos ele não vazava e era eficaz em todo sentido. Inclusive no moral, que deveria, o do paciente, ficar abalado, dependendo da posição.
Um remédio realmente bom, realmente eficaz. Mas para quê?
A propaganda não dizia. Então, curioso, fui pesquisar na internet. E descobri que ICADEN (Isoconazol) é indicado para pitiríase versicolor, candidíase e eritrasma, sendo correto aplicar uma vez na área afetada pelo período de quatro semanas, que deverão, mesmo após a cura, ser prolongadas, para evitar que voltem. Em casos raros pode haver irritações ou reações alérgicas na pele. E nesse caso torna-se necessário consultar um médico.
Um medicamento realmente bom no combate a fungos. E graças a Rubem Braga eu sei disso agora. O que me leva a crer que suas crônicas, narrativas, líricas, humorísticas, têm efeito salutar na vida de seu leitor.